Ecce Homo – Ragusa

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Dom Ravasi Cultura da comunicação e novas linguagens

Igreja se abre para novas formas de linguagem

Nicole Melhado  Da Redação, com Rádio Vaticano (Tradução equipe CN Notícias)

Monsenhor Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho da Cultura, apresenta tema da próxima assembleia

A Assembleia plenária do Pontifício Conselho da Cultura, programada para acontecer ente 10 e 13 de novembro, aprofundará a relação entre diversas formas de comunicação e a missão evangelizadora da Igreja. A montagem, centrada no tema “Cultura da comunicação e novas linguagens”, foi apresentada nesta quarta-feira, 3, em coletiva de imprensa no Vaticano.

Seguindo o ensinamento de São Mateus que diz que “ninguém acende uma lâmpada para a colocar debaixo de uma vasilha, mas sim para a colocar no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa”, a Igreja quer levar isso também para âmbito da comunicação. O presidente do Pontifício Conselho da Cultura, monsenhor Gianfranco Ravasi, ressaltou que a Igreja  tem o dever de transmitir por meio da interatividade e da simplicidade, a mensagem de Cristo, aos contemporâneos.

Para fazer resplandecer a luz da verdade diante dos homens, mons. Ravasi destacou que o olhar da Igreja deve abrir-se também às novas formas de linguagem. “A nossa linguagem é tantas vezes uma linguagem que se dispersa e se dissolve porque é muito autorreferencial. Nós temos nossas próprias categorias linguísticas codificadas, que não são, porém, mais compreendidas pelos externos”, destacou.

Monsenhor Gianfranco disse ainda que é preciso também estudar um pouco este fenômeno particular da desconstrução das linguagens e a incompreensibilidade das linguagens.

Linguagem e comunicação

O responsável pelo departamento de “Comunicação e Linguagem” do Pontifício Conselho da Cultura, Richard Rouse, salientou que, por vezes, a linguagem comum se sobrepõe gerando confusões e incompreensões. Como exemplo, Rouse deu as palavras. Salvação, conversão, justificação, três palavras muito familiares aos teólogos, mas que para os leigos podem ter outros significados. “Salvar um documento de ‘word’; converter entre diversos tipos de formatos eletrônicos; justificar sua página para a esquerda ou direita”, explicou.

Richard Rouse enfatizou ainda que normalmente a Igreja possui uma linguagem própria que muitas vezes é incapaz de comunicar aos jovens que estão afastados.

O programa da assembleia plenária prevê também uma visita às catacumbas, uma ocasião para unir formas de linguagens diversas, porém, unidas pelos mesmos valores.  O responsável pelo departamento “Arte e Fé” do Pontifício Conselho da Cultura, monsenhor Pasquale Iacobone, explicou que esta visita tem por objetivo co-ligar idealmente este início da comunidade cristã em Roma, aquela primeira forma eficaz de comunicar, com a comunicação pós-moderna da internet. “Trata-se de desenhar uma linha comum que diz que é o valor comunicativo da mensagem do Evangelho e da mensagem da comunidade cristã”, elucidou.

No final da coletiva, o bispo de  Regensburg e membro do Pontifício Conselho da Cultura, monsenhor Gerhard Ludwig Müller,  apresentou o XII volume da recém lançada obra completa de Joseph Ratzinger, intitulada “Anunciadores da Palavra e Servidores da vossa Alegria”. “Não se trata somente de lirismo religioso, mas também de redescoberta da fonte espiritual, a qual  cada sacerdote atinge cotidianamente, para ser operário do Senhor e servidor entusiasmado da Boa Nova de Cristo”, esclareceu mons. Müller.

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Um brinquedo para as crianças de Japurá AM

Brinquedos e livros de historinhas para as crianças de Japurá AM

As crianças da catequese e infância missionária de nossa paróquia Nossa Senhora do Patrocínio, depois de fazer um lindo trabalho na arrecadação de roupas infantil enviadas as crianças ribeirinhas de Japura- AM, e com a visita da irmã Izabel que nos visitou no final do ano de 2009 e em nome das crianças agradeceu muito feliz as roupas enviadas. Esse ano tivemos uma idéia diferente  a catequese junto com a infância missionária lança uma campanha para arrecadação de livros de historinhas infantil e brinquedos que vão ajudar no desenvolvimento das crianças (mini quebra-cabeças e joguinhos da memória) , com isso ajudaremos mais uma vez uma comunidade necessitada e estaremos  incentivando  nossos catequizandos com o serviço missionário,  a assumir o papel de Missionários de Jesus.

Crisliana


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… a César o que é de César e a Deus o que é de Deus

"Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mc 12,17)</FONT< STRONG>
Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da suamissão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa. Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir- se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o queé de César e não de Deus. Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa. Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma eHenrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência. Na condição de Bispo Diocesano, como r e s p o n s á v e l pela defesa dafé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que – por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida,dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos nãopode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21). Isto posto, recomendamos a todosverdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam. Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.

D. Luiz Gonzaga Bergonzini Bispo de Guarulhos

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Não foi a fome que matou Rosa, foi o descaso.

Rosa de Moçambique

23/07/2010 | Tatiane Silveira Soares *

Quantas Rosas ainda terão que morrer nesta terra até que haja uma verdadeira luta contra a fome?

Vi Rosa chegar ao Hospital de Moma nos braços de sua mãe que percorreu quilometros a pé movida por uma esperança inquebrantável de salvar a vida de sua filha. Buscar socorro num hospital que não possui recursos básicos para atender aos enfermos. Há meses está em reforma. Os doentes foram alojados em barracas de lona do UNICEF. O local é imundo, camas sujas, cheiro insuportável, baratas por todo lado. Falta de medicamentos. Ambulâncias em eterno conserto. Carência de recursos humanos. Foi neste lugar que Rosa morreu. Morreu desnutrida e sem desvelo algum. Não teve uma vida digna! Não teve o direito de lutar pela vida! Não foi a fome que matou Rosa, foi os olhos cerrados de quem finge ou não quer ver a deterioraçao da vida humana em Moçambique. Foram os braços cruzados de quem pode fazer a diferença e mudar essa situação. Não foi a fome que matou Rosa, foi o descaso.

Durante sua viagem pelo norte de Mocambique (princípio deste ano), os discursos do Presidente Armando Guebuza eram carregados de palavras ocas sobre o empenho do governo em combater a pobreza do povo moçambicano. Em Moma, foi acolhido pela população com as ruas ornamentadas por cartazes que ostentavam frases prontas inspiradas em seu palavriado fastidioso. Enquanto muitas mães, com os filhos nas costas, percorrem de pés descalços pelas péssimas estradas do país rumo aos hospitais o presidente sobrevoa a miséria do povo realizando uma chegada pomposa acompanhado de sua comitiva, em 7 helicópteros.

Durante sua breve estada na Vila de Moma, Guebuza foi levado para vislumbrar a reforma do hospital. Ele transitou pelos corredores vazios da construção. Nem por um segundo ergueu a vista para as barracas que abriga os desvalidos que agonizam naquele lugar lastimável. Será que Armando Guebuza não perguntou onde estavam os doentes? Ou então ele imagina que não há enfermidades nesta regiao do país? Porque as autoridades locais perderam a oportunidade de apresentar as dificuldades que o distrito enfrenta na área da saúde?

É sabido que Moçambique faz parte do grupo de países mais subdesenvolvidos do mundo. Estudos apontam que a expectativa de vida é de 46 anos enquanto a mortalidade infantil é elevadíssima. Doenças como a malária, a cólera e o HIV/Aids maltratam o povo. O país carece de infra-estrutura, de estradas asfaltadas, educação de qualidade, sistema de saúde adequado. Somado a tudo isto, a fome massacra a população pobre. Moçambique continua a ser um país exportador de matérias-primas. Possui um setor indutrial incipiente, necessitando, assim, importar produtos alimentícios básicos, em sua maioria da África do Sul. O orçamento do estado moçambicano é financiado em torno de 50% pela ajuda externa.

Neste ínterim, diante da situação calamitosa que grande parte da população moçambicana se encontra, é obsceno o poder público se dar ao luxo de pagar USD$ 2.000,00 por hora, a uma empresa, pelo aluguel de cada um dos 7 helicópteros que serviram para o conforto e bem estar do presidente e de sua comitiva. O povo moçambicano está tendo seus direitos pisoteados por uma minoria que apoderou-se do poder político e econômico, usufruindo-o em benefício próprio.

Falar de direitos humanos e não escutar o povo é uma farsa. Estou convencida que não se conhece as mazelas do povo sem caminhar do seu lado. Paulo Freire já dizia que o verdadeiro revolucionário não luta pelo povo, mas luta com o povo. Esta é a questao primordial que se coloca.

Rosa, pequena, indefesa. Não tinha mais do que dois anos, penso. Mal conseguia abrir os olhos e forças lhe faltavam para manter o pescoço firme. Dispensável falar de sua magreza. Mas chorava, muito. De fome, de dor… não sei. Era um choro, acredito, em busca de socorro, de luta pela vida.

Moçambique possui muitas outras ‘Rosas’ que poderiam enfeitar o país mas que estão desfalecendo por falta de zelo. Resistência, fé, liberdade … nosso povo moçambicano não pode perder a esperança. Unidos, sejamos as vozes que denunciem esta realidade espessa ao mundo.

* Tatiane Silveira Soares, missionária leiga do Projeto Regional Sul 3 da CNBB em Moçambique.

Fonte: Comire Sul 3 da CNBB


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Missão nos grandes centros urbanos

Bento XVI – INTENÇÃO MISSIONÁRIA                  Julho de 2010

 “Para que os cristãos se empenhem em oferecer em todo lugar, sobretudo nos grandes centros urbanos, uma válida contribuição em favor da promoção da cultura, da justiça, da solidariedade e da paz”

Cidade do Vaticano (Agência Fides http://www.fides.org/aree/news/newsdet.php?idnews=17903&lan=por) – O mundo contemporâneo vive em constante mudança. Os fenômenos econômicos, a industrialização, a revolução tecnológica, produziram grandes transformações nas estruturas sociais, tanto no âmbito individual quanto familiar. Verificam-se grandes migrações que concentram milhões de seres humanos nos arredores dos centros urbanos, cujas áreas periféricas são geralmente marcada pela pobreza e pela falta de estruturas de base. Paradoxalmente, também nas áreas urbanas caracterizadas por uma economia forte, constata-se com frequência o individualismo e a solidão mais dolorosa. As relações interpessoais se desumanizam, tornando- se frias e impessoais.
Toda esta realidade necessita ser evangelizada! As grandes cidades são sempre mais cosmopolitas e se tornam um agregado de raças diferentes, de culturas diferentes. Em muitas cidades de antiga tradição cristã, não existe atualmente uma situação social de cristandade, de valores baseados no Evangelho. De qualquer forma, através da globalização, toda cidade e todo povo se tornou uma imagem do mundo em que estão presentes as realidades e culturas diferentes e também uma grande diversidade de fé religiosa.
Os discípulos de Cristo devem sentir o doce dever de apresentar o Evangelho na realidade social de todos os ambientes e todos os lugares. Onde as raízes cristãos estão desaparecendo, é necessário apresentar novamente, com convicção e força, a verdade do Evangelho de Jesus Cristo. Os nossos contemporâneos são particularmente sensíveis a alguns valores, como a solidariedade e a paz. O Evangelho sempre foi promotor destes valores, porque eles provêm do amor de Deus que nos doou em Cristo. Jesus Cristo despojou-se de si mesmo e se tornou um de nós através da Encarnação, assumiu a nossa pobreza para nos tornar partícipes de sua vida divina. É ele a nossa paz.
Diante dos desafios da situação atual, o Santo Padre nos chama para contribuir a criar cultura, a dar testemunho da justiça. A cultura se manifesta no pensamento, nos costumes, na arte, na música, nas festas. Ela provém dos valores que caracterizam a verdadeira humanidade, que elevam o ser humano, tornando-o capaz de se doar.
Para que exista uma verdadeira comunhão entre os homens não é suficiente a proximidade física. Precisamos de uma força vinculante, criadora de comunhão. Como sublinha o Papa Bento XVO, “as grandes cidades europeias e americanas são cada vez mais cosmopolitas, mas muitas vezes faltam nelas esta linfa, capaz de fazer com as diferenças não sejam motivo de divisões ou de conflito, mas de enriquecimento recíproco. A civilização do amor é ‘convivial’, ou seja, convivência respeitosa, pacífica e alegre das diferenças em nome de um projeto comum, que o beato Papa João XXIII fundava sobre os quatros pilares do amor, da verdade, a liberdade e da justiça”. (Discurso no final do Santo Rosário com os jovens universitários, 1º de março de 2008). A nossa missão é construir estas colunas com a força do Evangelho, para que sejam capazes de segurar o mundo que, de várias formas, ameaça se fragmentar.

 


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Alegria de ter sido escolhido para “grande missão” sacerdotal

…a alegria do chamado
 
 

“Quantos bons exemplos nós temos de padres que dão testemunho de fé e com o seu entusiasmo contagiam a sua comunidade paroquial! Sou testemunha disso em minhas missões a mim confiadas pela Igreja e agora, através das visitas, no conhecimento das realidades da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro”, escreve o prelado, em artigo enviado a ZENIT hoje.

Dom Orani assinala: “devemos dar graças a Deus por todos aqueles que a cada dia, pelo seu testemunho, fazem reinar Cristo no mundo”.

“Nestes tempos de dificuldades, que costumam ser bem salientadas e difundidas de maneira global, mas também de grandes generosidades e santidade, pouco conhecidas e divulgadas, o Espírito Santo nos tem dado respostas belíssimas com as vocações que afluem aos nossos seminários e com presbíteros animados pelo Espírito Santo animados como discípulos missionários consagrando toda a vida ao serviço do Senhor.”

Durante a viagem a Roma para o encerramento do Ano Sacerdotal, o arcebispo reconhece que encontrou em muitos presbíteros “a alegria do chamado, da entrega da vida e a busca de testemunhar a beleza do seguimento de Jesus Cristo”.

“São tempos em que o Espírito Santo faz brotar no coração destes homens de Deus o desejo de continuar vivendo alegremente suas vidas consagradas e anunciar ao mundo a alegria de ter sido escolhido para tão grande missão”, afirma.

“Agora continuamos a testemunhar Jesus Cristo na história, e cada um de nós é corresponsável para levar adiante aquilo que vivemos e celebramos! O tempo de oração, intercessão, testemunho continua ainda mais intenso e com ânimo renovado”, destaca Dom Orani.

 


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Espiritualidade do Rosto de Deus e Dialogo Ecumenico

Refletindo sobre o valor as Imagens Religiosas, Arte sacra e Arte Religiosa e Dialogo Ecumenico com os Pastores Evangelicos, com as Comunidades e Igrejas Evangelicas encontrei um texto do Papa Bento XVI que poderia ajudar nosso Dialogo (trata-se da homilia que Bento XVI pronunciou durante a Missa da solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, celebrada na Basílica de São Pedro, na manhã desta sexta-feira, 43º Dia Mundial da Paz. – texto completo ao link http://www.zenit.org/article-23686?l=portuguese)
Rosto de Deus e rostos dos homens
 

Venerados Irmãos, ilustres Senhores e Senhoras, queridos irmãos e irmãs!

No primeiro dia do novo ano, temos a alegria e a graça de celebrar a Santíssima Mãe de Deus e, ao mesmo tempo, o Dia Mundial da Paz. Em ambos aniversários celebramos Cristo, Filho de Deus, nascido da Virgem Maria e nossa verdadeira paz! A todos vós, que estais aqui reunidos: representantes dos povos do mundo, da Igreja romana e universal e a televisão, repito as palavras da antiga bênção: que o Senhor te descubra o rosto e te conceda a paz (cf. Nm. 6, 26). Precisamente o tema do Rosto e dos rostos gostaria de desenvolver hoje, à luz da Palavra de Deus –Rosto de Deus e rostos dos homens– um tema que nos oferece também uma chave de leitura do problema da paz no mundo. Escutamos, seja na primeira leitura –extraída do Livro dos Números– seja no Salmo responsorial, algumas expressões que contêm a metáfora do rosto referida a Deus: “O Senhor faça resplandecer sua face sobre ti e te outorgue sua graça” (Nm 6, 25); “Apiede-se Deus de nós e nos abençoe, faça resplandecer sua face sobre nós” (Sal 66/67, 2-3). O rosto é a expressão por excelência da pessoa, é o que faz a reconhecível e pelo qual se demonstram sentimentos, pensamentos, intenções do coração. Deus, por sua natureza, é invisível, no entanto, a Bíblia aplica também a Ele esta imagem. Mostrar o rosto é expressão de sua benevolência, enquanto que escondê-lo indica ira e indignação. O Livro do Êxodo diz que “O Senhor falava a Moisés face a face, como fala um homem a seu amigo” (Ex 33, 11), e sempre a Moisés o Senhor promete sua proximidade com uma forma muito singular: “Meu rosto caminhará contigo e te darei descanso” (Ex 33, 14). Os Salmos nos mostram os crentes como aqueles que buscam o rosto de Deus (cf. Sal 26/27, 8; 104/105, 4) e os que no culto aspiram a vê-lo (cf. Sal 42, 3), e nos dizem que “os homens retos” o “contemplarão” (Sal 10/11, 7).

Toda a história bíblica pode-se ler como progressivo desvelar do rosto de Deus, até chegar a sua plena manifestação em Jesus Cristo. “Ao chegar a plenitude dos tempos –nos recorda também hoje o apóstolo Paulo– Deus enviou seu Filho” (Gal 4, 4). E rapidamente acrescenta: “nascido de mulher, nascido sob a lei”. O rosto de Deus tomou um rosto humano, deixando-se ver e reconhecer no filho da Virgem Maria, que por isso veneramos com o título altíssimo de “Mãe de Deus”. Ela, que guardou em seu coração o segredo da divina maternidade, foi a primeira a ver o rosto de Deus feito homem, no pequeno fruto de seu ventre. A mãe tem uma relação muito especial, única e ainda exclusiva com o filho recém-nascido. O primeiro rosto que a criança vê é o da mãe, e este olhar é decisivo para sua relação com a vida, com si mesmo, com os demais, com Deus; é decisivo também para que ele possa converter-se em um “filho da paz” (Lc 10,6). Entre as muitas tipologias de ícones da Virgem Maria na tradição bizantina, encontra-se a chamada “da ternura”, que representa o menino Jesus com o rosto apoiado no da Mãe. O menino olha a mãe, e esta vela por nós, quase como refletindo aquele que a observa, e prega a ternura de Deus, descida n’Ela do Céu e encarnada naquele Filho de homem que leva nos braços. Neste ícone mariano podemos contemplar algo do próprio Deus: um sinal do amor inefável que o levou a “dar seu filho unigênito” (Jo 3, 16). Mas esse mesmo ícone nos mostra também, em Maria, o rosto da Igreja, que reflete sobre nós e sobre o mundo inteiro a luz de Cristo, a Igreja mediante a qual chega a toda pessoa a boa notícia: “Já não é servo, mas filho” (Gal 4, 7) – como lemos ainda em São Paulo.