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Leigos bem preparados para a evangelização – Bento XVI

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Leonardo Meira Da Redação

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Bento XVI: ”Somente na comunicação com Jesus a razão humana é curada, potencializada e é possível chegar a uma visão adequada do desenvolvimento”
O Papa Bento XVI recebeu em audiência os participantes do Congresso Internacional celebrativo do 50º aniversário da Encíclica Mater et magistra, escrita pelo Beato João XXIII. O encontro com o Pontífice aconteceu na manhã desta segunda-feira, 16, na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano.O Congresso é promovido pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, começou nesta segunda e segue até quarta-feira, 18, com o tema “Justiça e globalização: da Mater et magistra à Caritas in veritate“.

Com relação aos grandes desafios atuais, a Igreja confia em primeiro lugar em Jesus e no Seu Espírito, que a conduzem pelas estradas do mundo, mas conta com atividades de instituições e a obra de anúncio e testemunho dos leigos na difusão de sua Doutrina Social.

“Eles devem ser preparados espiritualmente, profissionalmente e eticamente. A Mater et magistra insistia não somente na formação, mas sobretudo na educação que forma cristãmente a consciência e leva a uma ação concreta, segundo um discernimento sapientemente guiado”, exortou o Papa.

DSI e verdadeiro bem humano

Bento XVI explicou que a encíclica de João XXIII já antecipa o pensamento do Beato João Paulo II sobre a Doutrina Social da Igreja (DSI), entendendo-a como um elemento essencial da missão evangelizadora porque é parte da concepção cristã da vida. Da mesma forma, o pensamento de João XXIII está na origem das afirmações de seus Sucessores também quando indicou na Igreja o sujeito comunitário e plural da DSI:

“Os fiéis cristãos leigos, em particular, não podem ser fruidores e executores passivos, mas são protagonistas no momento vital da sua atuação [da DSI], como também colaboradores preciosos dos Pastores na sua formulação [da DSI], graças à experiência adquirida de campo e nas próprias competências específicas”, esclareceu.

Em sua recente Encíclica Caritas in veritate, de 2009, Bento XVI retomou a visão de João XXIII, testemunho daquela continuidade presente no corpus das Encíclicas Sociais. “A verdade, o amor, a justiça, ditados pela Mater et magistra, unidos ao princípio da destinação universal dos bens, enquanto critérios para superar os desequilíbrios sociais e culturais, permanecem como bases para interpretar e viabilizar a solução também dos desequilíbrios internos à moderna globalização”, explicou.

Frente aos desequilíbrios, é preciso retomar uma razão integral que faça renascer o pensamento e a ética. Para o homem de hoje, é difícil chegar ao conhecimento do verdadeiro bem humano. A saída apontada pelo Bispo de Roma é desenvolver mecanismo abertos à Transcendência mediante uma nova evangelização. “Somente na comunicação com Jesus a razão humana é curada e potencializada e é possível chegar a uma visão mais adequada do desenvolvimento, da economia e da política segundo a sua dimensão antropológica e as novas condições históricas”, advertiu.

Sem o conhecimento do verdadeiro bem humano, a caridade cai no sentimentalismo; a justiça perde sua “medida” fundamental; o princípio da destinação universal dos bens é deslegitimado. Daí surgem os vários desequilíbrios globais que caracterizam o mundo de hoje, como disparidade, diferenças de riqueza, falta de igualdade, que criam problemas de justiça e de igualitária distribuição de recursos e oportunidades, especialmente para os mais pobres.

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Papa João XXIII escreveu a Encílica Mater et Magistra “com visão de Igreja colocada ao serviço da família humana sobretudo mediante a sua específica missão evangelizadora”, explica Bento XVI

Crise financeira

O Sucessor de Pedro recordou que também preocupa um mundo financeiro que, após a fase mais aguda da crise, volta a praticar “com frenesia contratos de crédito que frequentemente consentem a uma especulação sem limites”. Esse fenômeno de especulação também acontece com relação aos gêneros alimentícios, água, terra, aumento dos preços dos recursos energéticos primários, que apenas “empobrecem ainda mais aqueles que já vivem em situações de grave precariedade”, denunciou.

Segundo o Papa, a questão social moderna deve ser enfrentada como questão de justiça social mundial, para a qual é indispensável uma nova evangelização do social que evidencie implicações da justiça realizada em nível universal.

As indicações oferecidas pelo Papa Roncalli (João XXIII) a propósito de um legítimo pluralismo entre os católicos na concretização da DSI permanecem válidas, desde que busquem pontos de encontro para uma ação eficaz.

“Em um mundo não raras vezes voltado sobre si mesmo, privado de esperança, a Igreja espera que vós sejais fermento, semeadores inestancáveis do pensamento verdadeiro e responsável e de generosa projeção social, sustentados pelo amor pleno de verdade que habita em Jesus Cristo, Verbo de Deus feito homem”, disse aos participantes do Congresso.

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